Lay’s days. Dia 28 “saíram” os microcréditos! No caso do Abocholai, o valor foi de 12 000 000 STD (cerca de 480€). Este primeiro dia foi uma correria para mim e para o Lay. Primeiro fomos ao banco para levantar o dinheiro. Fomos de loja em loja na cidade para comprar os primeiros materiais. Comprámos pregos, chapas de zinco, rede e cimento. Tivemos que ir longe da cidade para comprar barrotes, tábuas e ripas. O senhor que nos vendeu estes materiais de madeira era um verdadeiro empreendedor e um exemplo para o Abocholai, pois, começando do zero, tem agora cerca de 1000 galinhas. Já tinha sido um dos comtemplados de um programa de microcrédito que houve há muitos anos, mas disse que foi o único que aproveitou tal oportunidade. Depois dos primeiros materiais comprados foram precisas 2 viagens de táxi e carrinha para levar as encomendas. A casa do Lay fica num zona com casas isoladas e com acessos difíceis, pelo que a viagem de carrinha foi caricata, principalmente quando tivemos com uma inclinação de quase 45 graus (Até filmei!) Mãos à obra. Com a ajuda de um carpinteiro (amigo do Abocholai) e o seu assistente começámos a fazer a capoeira. Primeiro com as medições, depois com os barrotes para ganhar as estruturas. Fomos juntando as ripas e tábuas e pelo meio mais barrotes. No dia seguinte foi a vez de retomar o trabalho e fazer mais compras. Faltava uma fechadura, umas dobradiças e a areia. A areia teve que ser comprada longe da cidade e para isso foi preciso transporte. Depois de muita discussão de preços e condições de negócios lá fomos nós comprar a areia. No caminho para casa tive o meu primeiro furo num pneu em terras santomenses (nada surpreendente dada a óbvia má condição em que a carrinha se apresentava). No final do dia, o chão já estava a ser preparado com pedras, o tecto já estava posto, a rede estava a ser pregada. A capoeira estava a ganhar forma de uma maneira muito rápida. Ficou combinado que segunda-feira as galinhas seriam entregues, mas como combinar e realizar são palavras tão distintas para estes lados, a entrega ficou para o dia seguinte. Neste mesmo dia, fomos comprar ração para as galinhas. Logo após pagarmos, o saco da ração rompeu, pelo que tivemos de colocar tudo noutro saco e tentar que não se desperdiçasse muita comida. As galinhas, apesar de ainda não serem todas, chegaram finalmente ao seu novo lar na terça-feira. Começou aqui um sonho, um projecto, um risco e uma oportunidade. Todos sabemos como é mau nos endividarmos e dependermos de outros para as coisas que acabamos por chamar de nossas, enquanto que na prática são propriedade dos bancos. Este é o início de um projecto empreendedor, de um sonho que faltava realizar, de uma oportunidade de vida que vai servir para ver atingido o objectivo traçado. Agora é só acreditar e trabalhar para que o futuro seja mais risonho do que foi o passado.
28 de Julho a 2 de Agosto de 2011
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