sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Cascata de S.Nicolau

Cascata de S. Nicolau. O dia começou antes das 7h para podermos aproveitar bem o passeio. Combinámos com o Milton uma caminhada fora da cidade em que ele é que escolhia o roteiro. O Milton é um santomense que participou nas formações MOVE e constrói candeeiros de bambu. O Milton tem 27 anos e é super inteligente e conversador. O roteiro começou com uma ida à roça de Monte Café. Apanhámos um táxi que nos levou até “Bate Pá”, para poupar uns trocos, pois o taxista pedia demasiado até à roça. O problema é que o caminho era sempre a subir! Numa roça há de tudo. Escola, hospital, campo de futebol, etc.. Os mais pequenos iam cantando connosco algumas canções e até aprenderam a música do abecedário que era cantada pela Ana Malhoa (“tudo começou no A..”). Fomos muito bem recebidos e acarinhados. A paragem seguinte foi o jardim botânico do parque natural Obô. O jardim foi construído com apoios europeus mas depois foi deixado de lado, de maneira que o jardim só se mantém devido às doações dos visitantes. No jardim existem muitas árvores e plantas que caracterizam a vegetação de S. Tomé, como cajamangueiras, orquídeas, palmeiras, bananeiras e muitas mais. Depois do jardim andámos até à cascata de S. Nicolau. Esta cascata era linda e totalmente natural. Tem uns 40 metros de altura e a água fresquinha, coisa que aqui já não estamos habituados. Fomos para a cascata tomar um banho, tirar umas fotografias e aproveitar um tempinho de descanso, porque até aí já muitos quilómetros tínhamos andado. Para voltar à cidade conseguimos boleia de uns Espanhóis que nos levaram até à Trindade. Estes Espanhóis foram muito simpáticos e mostraram-se muito interessados no nosso projecto e com vontade de participar de alguma maneira, pois também eles estão em S. Tomé para promover o desenvolvimento da ilha. Ao chegar à Trindade, havia um campo de futebol 5 cheio de “jogadores da bola”. Nós éramos 6 mas como o Zé não podia jogar fizemos uma equipa de 5 (Eu, o Nuno, o António, o Pedro e o Milton). Era “roda bota fora”, ou seja, quem sofresse um golo saía. O primeiro jogo correu muito bem mas o segundo já não teve o mesmo destino. Começaram a entrar mais equipas e uma delas era mesmo muito boa. O jogo deles era coeso, trocavam muito bem a bola, não eram individualistas e faziam sempre uma boa jogada antes de marcarem um golo, foi uma surpresa para mim. A nossa equipa não era organizada e ficava sempre um “buraco” na defesa. Perdemos uns 4 ou 5 jogos e um deles acho que deve ter demorado uns 15 segundos (que vergonha…). Num dos intervalos conheci uma menina que me dizia que não gostava muito da escola porque os meninos gozavam com ela, mas a menina era muito esperta e até os números em francês sabia contar (até 1000 dizia ela), coisa que para mim já está um bocado esquecida (desculpa mãe, eu prometo melhorar o meu francês). Num dos jogos a menina trouxe-me um sumol de laranja, porque o pai dela era dono de um café. Gostei muito do gesto. Voltando ao jogo, finalmente conseguimos ganhar aos “campeões da trindade” com um golo magnífico do António. Os festejos que nós fizemos, em conjunto com os inúmeros adeptos da trindade, foram dignos de um golo da liga dos campeões! Depois desse jogo a confiança voltou e fomos ganhando jogo após jogo. Foram umas belas duas horas que ali passámos e que prometo regressar para uma bela jogatana. Claro que este maravilhoso dia só podia acabar com o maravilhoso bitoque a 3€ da cooperação. Que mais passeios como este acontecem nas próximas semanas.

24 de Julho de 2011 

Nenhum comentário:

Postar um comentário