sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Divulgação da Nova Edição de Microcrédito

Divulgação da Nova Edição de Microcrédito. Depois da avaliação das comunidades e de todo um processo de reconhecimento, o distrito escolhido foi Mé-Zóchi. Este distrito engloba a cidade da Trindade, segunda cidade principal de São Tomé e ainda outras comunidades como: Vila Madalena, Bôbô Fôrro, Santa Margarida, Cruzeiro, Piedade, Monte Café, Monte Macaco, Bate Pá, etc. Este distrito é o segundo mais populoso do País, encontra-se no centro da Ilha, tem comunidades organizadas e sentimos bastante aderência à primeira abordagem MOVE. Todo o processo vai contar com a colaboração da Câmara Distrital, que nos vai ceder um espaço para a divulgação, palestras, recolha de formulários e entrevistas. A divulgação começou a ser feita no início desta semana e contará com três palestras, duas das quais foram esta semana. A primeira palestra foi iniciada pelo presidente da Câmara de Mé-Zóchi e foi apresentada por mim e pela Mónica. Cerca de 200 pessoas compareceram na sessão de esclarecimento, com muita vontade de ouvir o que tínhamos a dizer e explicar mas também com muita confusão devido ao elevado número de pessoas. No final da sessão, não houve formulários que chegassem para tanta adesão. A segunda sessão apresentada pelo Pedro e pelo António seguiu um rumo parecido ao da primeira. Foram entregues 200 formulários e mesmo assim não chegou para a procura. Estimamos que cerca de 300 pessoas participaram na palestra. Na próxima semana vamos entregar mais papéis de candidatura e começar a recepção dos mesmos. Este processo de escolha de empreendedoras é demoroso e promete ser minucioso quanto á escolha dos negócios. Só daqui a mais de 1 mês e meio é que vamos poder escolher os empreendedores seleccionados e iniciar as formações em gestão. Não sabemos quantas pessoas nos vão aparecer a requisitar microcrédito, mas esperemos que bons projectos aparecem, pessoas verdadeiras e empreendedoras venham até nós e, por último, conseguir criar um impacto real nas comunidades e a sustentabilidade dos negócios.

6 de Outubro de 2011 

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Jalé

Jalé. Temos estado numa grande agitação. Preparação de projectos, preparação da nova vaga de microcrédito e todas as actividades que estamos envolvidos. Para não falar que estive quatro dias doente (nada de grave e tudo controlado)! Depois disto tudo e do que ainda aí vem, o que caía mesmo bem? Fim de semana de relax! O Sul foi o destino escolhido, e a companhia não podia ser melhor. Fomos os 5 Move, os 2 ISU (a ISU é uma organização Universitária que está em diversos países em desenvolvimento e também dá formações em Portugal de associativismo e voluntariado) – a Sofia e o Nuno, o Miguel e a Vera (amiga do Miguel). Fomos 9 numa carrinha de caixa aberta, mas a viagem não foi fácil, tivemos chuva torrencial, muitos buracos e um rio a atravessar. A história do rio foi engraçada, estivemos à espera uns 30 minutos que o caudal do rio diminuisse e acabamos por atravessar, ainda com a água acima da porta, com a ajuda dum senhor que levou o carro por alegar mais experiência nestas andanças. Chegando à Jalé, fomos montar as tendas e seguimos para a praia piscina, para aproveitar a luz do dia e o pôr-do-sol em cima da água. O jantar foi em Porto Alegre, na quitanda/restaurante do Vado, acompanhado por um Rings Of Fire, que acabou com um discurso (em resposta a um desafio do jogo) a dizer o porquê da cerveja ser a melhor coisa que existe! Depois de finalmente aprender a jogar “Bisca 61”, jogo famoso em São Tomé, e de ouvir uma boa guitarrada e umas músicas portuguesas, seguimos para as tendas. Eu e o Nuno decidimos dar uma volta pela praia, para passear e quem sabe encontrar rastos de tartarugas ou encontrar as próprias na praia. Depois de alguns metros, demos de caras com um rasto (a fazer lembrar uma moto 4) que nos leva até uma tartaruga. A Helena e a Sofia juntaram-se a nós e mais tarde vieram mais três para ver o “espectáculo da natureza”. A tartaruga começou por fazer um buraco, estreito, com cerca de meio metro. Escavava com as barbatanas e atirava a areia para fora. Passados uns 30 minutos começou a pôr os ovos. Iam saindo ou um de cada vez ou logo três de seguida. Nós íamos acompanhando este momento especial da tartaruga, roubando um pouco da sua privacidade. Até a barbatana da tartaruga agarrámos para ver melhor o processo. Uns 100 ovos mais tarde, a tartaruga, apelidada carinhosamente de “Jalézinha”, começou a tapar o todo o buraco e a avançar muito lentamente para disfarçar o sítio onde tinha posto os ovos. Quando acabou este processo de “disfarce”, a Jalézinha foi a passo de tartaruga até ao mar, acabando por desaparecer no Oceano. Este foi o momento mais “Into the Wild” que já presenciei e é, sem dúvida, uma experiência a repetir. No dia seguinte, acordámos junto ao mar, a ouvir as ondas e a tomar um belo pequeno-almoço, com banana, café, chá e uns bolos incríveis – fofos (tipo farturas em caracol). Fomos para Porto Alegre apanhar uma piroga (uma canoa com motor) e seguimos para o Ilhéu das Rolas. Este Ilhéu é o local onde passa a linha do Equador e o Pestana tem um resort. Quando entrámos no Ilhéu, queriam que pagassemos 20€ pela entrada no Ilhéu, valor que nem tínhamos connosco, nem contávamos pagar por estar 2 horas no Ilhéu. Voltamos para o São Tomé, ilha, onde fomos para a Praia Cova, que não tem quase acessos. Os pescadores foram cozinhar um peixe Fumo, acabado de pescar, e comemos na areia com fruta-pão frita (Maravilhoso!). Este foi o melhor almoço que já tivemos em São Tomé e Príncipe. Depois de almoço seguimos para a praia Jalé, para relaxar um bocado, jantar uns bifinhos e seguir para a festa de Malanza. A festa estava pouco movimentada mas ainda deu para dar uns passinhos de dança. A noite acabou com uma fogueirada na praia, umas cartadas e a ver mais uma tartaruga já depois de ter posto os ovos. Domingo fomos para a praia Va-inha, mais um sítio lindo e paradisíaco que merece ser visitado. A viagem de regresso foi feita com calma, parando em Micondó e jogando uma futebolada na praia. Cansado mas satisfeito, foi assim que cheguei a casa, pronto para começar o trabalhinho.

30 de Setembro – 2 de Outubro de 2011

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Comunidades

Comunidades. Chegou a hora do microcrédito! Até agora estivemos cá desde o início da primeira vaga de microcrédito do Move em STP. Acompanhámos os contractos, fomos ao banco receber o valor do empréstimo com os empreendedores, fomos comprar os materiais precisos para cada negócio, ajudámos na divulgação, pressionámos vendedores, ajudamos na construção e apoiamos semanalmente os seus negócios. Agora é a nossa vez de escolhermos o caminho a seguir pelo Move e a escolhermos onde vamos lançar a segunda fase de microcrédito, para termos novos empreendedores a seguir o mesmo caminho que os anteriores. Nesta escolha, decidimos fazer um pequeno modelo de avaliação de comunidades e para isso fizemos diversas “visitas de campo” por Guadalupe, Agostinho Neto, Trindade, Cruzeiro, Madalena, Santa Margarida, Monte-Macaco, Ribeira Afonso, Santa Cecília, Colónia Açoriana, Santana e Água Izé. Estas visitas foram fantásticas para conhecer alguns sítios novos, outro tipo de pessoas e perceber como as pessoas vivem à volta da cidade. O que se assiste é uma dependência constante das comunidades à capital. Quase toda as pessoas, ou trabalham na cidade ou enviam aquilo que produzem. Existem sítios onde as pessoas estão mais organizadas como comunidade, onde existe mais espírito empreendedor e novas oportunidades e outros em que parece não existir muita vontade de mudar e criar negócios novos, não existindo iniciativa local. O que nós pretendemos é o desenvolvimento económico e social, não só das famílias que apoiamos, mas também das comunidades onde nos inserimos. É esse espírito que procuramos para tentar ajudar a partir da vontade das pessoas de terem um futuro melhor.

12 de Setembro a 16 de Setembro de 2011 

Formação

Formação. O Move tem como objectivo combater a pobreza através do empreendedorismo. Com este propósito nós atribuímos microcrédito junto do Banco Internacional, fazemos assessoria a pequenas empresas e damos formações na área da gestão. Estas formações vão sendo alteradas tendo em conta os formandos e o objectivo que nos propomos. A primeira formação que nós demos em São Tomé foi de “Criatividade e Gestão de Pequenos Negócios” e teve uma duração de 3 semanas intensivas, contando com cerca de 60 alunos. A divulgação foi feita, maioritariamente, com base em cartazes e “boca-a-boca”. Houve bastante aderência mas as vagas eram limitadas ao espaço que tínhamos. A média de idades rondou os 27 anos, mas havia pessoas dos 17 aos 51. Em termos de escolaridade também havia uma grande diversidade, pois havia alunos com a 6º classe e outros com a licenciatura terminada. Na formação tivemos de nos adaptar a todas estas condições e dar o melhor de nós. As aulas tiveram vários temas, como “abrir horizontes”, perceber o que faz falta e podia ser feito em São Tomé e ainda conceitos financeiros e em marketing. Foram feitos jogos, trabalhos de casa e aulas mais teóricas. Foram três semanas de enorme satisfação para mim e para a equipa. A formação acabou com uma apresentação dos negócios que eles achavam que podiam ser úteis a São Tomé. Houve uma grande variedade de projectos, ao contrário do que acontece no País, existindo negócios de produção de polpa de tomate, fábrica metalúrgica, fábrica de farinha de milho, conserva de atum, reciclagem, comunicações, engarrafamento de água, entre outros. As apresentações contaram com a presença de quase todos, havendo muito empenho nos projectos e na apresentação dos mesmos e muito contentamento por terem participado nesta nossa primeira formação. No final tudo acabou com um almoço com comida santomense e muita animação. Às vezes pensamos que o que aprendemos durante estes 3 anos servirão para pouco no nosso futuro, mas com esta formação, pelo menos percebi que vai ser importante para a vida destas pessoas. Mesmo que se esqueçam de metade do que aprenderam, vão perceber minimamente como começar e gerir um negócio e vão saber que se quiserem avançar, estamos aqui para ajudar e apoiar no que for preciso.

11 de Agosto a 3 de Setembro de 2011
 

Sul

Sul. Chegaram as primeiras visitas a São Tomé. Os Pais, irmã e amigos de família do António vieram passear e conhecer um pouco dos lugares por onde passamos todos os dias. Combinámos ir todos ao Sul de manhã, pois as visitas tinham ido directamente para o Ilhéu das Rolas. Fomos os 5 Moves, o Rui da FONG que também esta em nossa casa e o Luís Quintaneiro. A viagem foi, em grande parte, passada a dormir, pois tínhamos feito noitada no dia anterior. Pelo meio fomos parando algumas vezes, pois ainda não conhecíamos nada destes novos sítios. Pico do Cão Grande foi uma dessas paragens. O Cão Grande é uma montanha alta e completamente vertical que se avista de muitos sítios e que nós havemos de visitar melhor num dia com mais tempo. Outra paragem foi em São João de Angolares, vila com alguns meios e onde algumas organizações estão presentes. Chegando ao “porto”, em Ponta Baleia, onde as visitas nos aguardavam, seguimos a nossa viagem rumo ao desconhecido. O Sul é conhecido pelas suas incríveis praias e nós pudemos comprovar a fama que têm. Conhecemos a praia Piscina, a praia Jalé e a praia da Cabana. A praia piscina foi a que mais impressionou. Além do areal e envolvente que a praia nos oferece, tem uma piscina natural no meio das rochas. A água de diferentes cores, as várias zonas de rebentação, a beleza imaculada que aquele pequeno sítio nos oferece. As três praias são magníficas e na praia Jalé existem uns bungalows onde estamos a pensar ficar num fim-de-semana próximo. Almoçámos pão com pasta de atum, num sítio ao pé de Angolares, que tinha uma vista impressionante sobre a água e uma comunidade. Neste passeio pelo sul, houve ainda tempo para irmos à roça S. João, que o dono é o conhecido cozinheiro da “Roça com os tachos”, para nos encontrarmos com o António e familiares que tinham lá almoçado. Esta roça ainda tem a habitação senhorial intacta e toda arranjada, percebendo-se assim como se vivia na altura. O caminho para o Norte foi aproveitado para fazer algumas paragens na praia de Micondó e na de Sete Ondas.

Esta semana foi fantástica para as nossas barrigas e paladar. Passo a explicar. Com a família e amigos do António em S. Tomé, fomos jantar fora em três dias da semana. B24, Pirata e uma casa particular onde comemos um grande peixinho. A nossa casa também ficou recheada de boa comida. Muito obrigado a estas incríveis visitas que para além de tudo o que referi, foram uma boa companhia. Espero que tenham gostado da nossa pequena ilha.

Por último, hoje o meu pai faz anos por isso fica aqui um grande beijinho de parabéns, com muitas saudades!

21 de Agosto de 2011

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Pico de S. Tomé


Pico de S. Tomé. O nosso corpo tem limites, todos já atingimos um ponto em que não aguentávamos mais. Num dia a fazer desporto, no trabalho ou até a estudar. A verdade é que às vezes temos que puxar por ele até pensarmos que “já não dá mais” e aí vemos do que somos capazes. A viagem ao Pico foi a nossa prova de sobrevivência. Depois de 2 horas de sono na noite anterior e um cansaço acumulado da semana de trabalho, lá fomos nós acordar às 4h da manhã para o nosso fim-de-semana de aventura. Começou com uma viagem louca de carrinha de caixa aberta com quase 40 pessoas em que não havia um espacinho a mais. Chegámos ao Parque Obô às 7h, visitámos o jardim botânico, conhecemo-nos uns aos outros e foi feita uma oração para que tudo corresse bem. Às 7h30 começou a aventura. As primeiras horas foram de uma grande subida e um ritmo muito elevado, já havia muitas dificuldades mas com a ajuda de todos foram sendo superadas. Por volta das 10h chegámos ao topo de uma das montanhas, donde se avistava a Lagoa Amélia. A Lagoa não tem água à superfície mas sim debaixo de um grande manto de terra. É como um pântano em que estamos a andar por cima de água. A lenda conta que a Amélia era uma senhora que foi “comida” pela água da lagoa, desde aí está por baixo da terra a atormentar os visitantes. Eu, o António, a Ânia, o Luís Quintaneiro e alguns santomenses descemos à lagoa para andar em cima da lagoa e, quem sabe, encontrar a famosa Amélia. As horas que se seguiram foram de uma enorme intensidade. Para vos descrever um pouco da viagem e com o que nos fomos deparando, tenho que vos falar primeiro da magnífica paisagem que nos ia acompanhando. Montes gigantes, um verde de 10 tons diferentes, árvores grandiosas que pareciam ter 100 metros de altura, plantas mágicas com diferentes cores e tamanhos e uma imensidão de nuvens debaixo dos nossos pés. O percurso foi duro e com alguns percalços. O corpo foi dando sinais de fraqueza para alguns, mas os santomenses que andam há mais tempo nestas andanças continuavam sempre rijos, quase sem suar, a cantar músicas locais e a contar piadas. O João, que esteve à minha frente na maioria do percurso, tinha duas frases que marcaram esta viagem: “já só faltam 2 curvas” e “faltam umas meias horas”. Durante a caminhada encontrámos um bocadinho de tudo. As famosas “lâminas” – percursos com uns 40cm de largura em que de um lado e de outro existe uma ravina em que não se vê o chão; As “escadas” – caminho em forma de escada com uma inclinação parecida a uma parede, em que os degraus são feitos de raízes; O “purgatório” – local já perto do destino final em que se passa por cima de uma ravina e temos que ir colados ao monte e a agarrados a ramos. As 18h30, depois de 11 horas, chegámos à “Mesa do Pico”, sítio onde iriamos ficar a dormir a apenas 30 minutos do Pico. Estávamos mortos, acabados, arrasados. Enquanto os que ainda tinham forças começavam a montar as tendas, nós deitados no meio do chão e sem forças que nos restassem, pensávamos “conseguimos!”. O jantar foi massa com peixe, junto ao calor de uma fogueira e a ouvir música tradicional santomense (até o hino ouvimos, apesar de nem todos saberem exactamente a letra). A noite foi passada numa tenda com 7 pessoas, com um frio que gelava os ossos e com pedras e buracos entre nós. A alvorada foi às 6h, mais tarde do que era esperado, e ainda antes do “mata-bicho” (pequeno-almoço) subimos até ao Pico. Finalmente estávamos no Pico, apelidado “Pico Gago Coutinho” por ter sido este, o primeiro a subir até ao topo. Existia uma placa referente a pessoas que fizeram todo este caminho e “juraram nunca mais cá voltar”, ideia que nós percebemos inteiramente e juntamo-nos a este grupo. Ainda houve tempo para uma chamada para a Rádio Nacional no sentido de ficar registado que mais um grupo conseguiu a proeza. O dia seguinte foi feito a descer constantemente. Inclinações vertiginosas, montes que se faziam a correr e até caminhos em que ir de rabo ao chão era a melhor solução. Faltava só mais um obstáculo, os túneis do rio Contador. Estes túneis serviam para fazer a distribuição da água e tinham o caminho lado a lado com a pequena corrente de água. Havia lama e muitos morcegos. Entre os túneis pudemos encontrar a maior cascata da ilha, era gigantesca e muito majestosa. Passando o último túnel, fomos começando a ver pessoas e uma estrada de alcatrão, até que chegámos à carrinha que nos ia levar de volta. Tinha acabado a caminhada. Um dos guias dizia que andámos cerca de 50 km, o problema é que com as subidas e descidas pareceram uns 100! Cansados mas alegres, íamos nós nesta caminhada rumo a casa depois de cumprido o objectivo. A viagem foi feita a apreciar o pôr-do-sol, pensando “foi óptimo mas nunca mais hei-de voltar!” e a cantarolar músicas como:

“Ohh Joãaao,
Wôoo
Qui bom qui você veio,
Wôoo
Foi Jesus qui ti chamou,
Wôoo
E você aceitou,
Wôoô
Qui bom, qui bom
Qui bom qui você veio;
Qui bom, qui bom
Qui bom qui você veio”

13 de 14 de Agosto de 2011

Boca do Inferno


Boca do Inferno. Fim-de-semana é dia de passeio e este sábado não podia ficar atrás. Lá começamos a nossa viagem com o famoso senhor Amilton, que já nos tinha levado à Lagoa Azul. Este senhor tem duas particularidades e dois percalços a apontar nesta viagem. A repetição das mesmas músicas durante toda a viagem e ainda o medo que tinha de ir para qualquer sítio que lhe parecesse mais “perigoso” para o carro foram dois pormenores que marcaram o dia. Quanto aos dois percalços, o senhor Amilton não teve muita sorte, pois logo no início do passeio vieram ter connosco porque achavam que tinha roubado peças de um carro igual ao dele e logo de seguida percebeu que perdeu o telemóvel. Esquecendo o senhor Amilton vou vos contar um pouco da nossa viagem. Começou na Boca do Inferno, uma zona com a rebentação muito forte das ondas nas rochas. A lenda conta que havia um Português que ia de cavalo branco pelo monte e passava por baixo da Boca do Inferno de São Tomé para ir dar à Boca do Inferno de Portugal (nós decidimos não tentar o mesmo). Este foi o sítio mais bonito que vi na ilha, em que a paisagem era digna de um postal. O sítio seguinte foi a praia de sete ondas onde demos mergulhos, bebemos água de coco e jogámos futebol com os miúdos. Na praia existe uns ouriços únicos no Mundo, que são espalmados e parecem conhas. A sua forma é sempre igual, parecendo um desenho feito a computador. Paragem seguinte, Ribeira Afonso. Esta localidade não tem muito para visitar mas não deixa de ser um sítio bonito de conhecer. Almoçámos peixe grelhado com arroz, comemos Iza-quenta e até tivemos a brincar com uns “mini explosivos” que os miúdos tinham fabricado. Por último fomos a Água-Izé, uma roça muito grande que ainda tem vestígios da linha de comboio, do hospital central e de algumas casas da época colonial. No geral está muito degradada, com muitas barracas e muita pobreza no meio das ruas. Tal como em qualquer roça por onde passámos, a visita foi feita com um acompanhamento dos meninos. No final do dia ainda deu tempo para darmos uma volta por Pantufo, sitio que a única coisa que tem para ver é uma rotunda, mas que o senhor Amilton fez questão de nos mostrar para provar que não se recusava a ir a todo o lado.

6 de Agosto de 2011