quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Jalé

Jalé. Temos estado numa grande agitação. Preparação de projectos, preparação da nova vaga de microcrédito e todas as actividades que estamos envolvidos. Para não falar que estive quatro dias doente (nada de grave e tudo controlado)! Depois disto tudo e do que ainda aí vem, o que caía mesmo bem? Fim de semana de relax! O Sul foi o destino escolhido, e a companhia não podia ser melhor. Fomos os 5 Move, os 2 ISU (a ISU é uma organização Universitária que está em diversos países em desenvolvimento e também dá formações em Portugal de associativismo e voluntariado) – a Sofia e o Nuno, o Miguel e a Vera (amiga do Miguel). Fomos 9 numa carrinha de caixa aberta, mas a viagem não foi fácil, tivemos chuva torrencial, muitos buracos e um rio a atravessar. A história do rio foi engraçada, estivemos à espera uns 30 minutos que o caudal do rio diminuisse e acabamos por atravessar, ainda com a água acima da porta, com a ajuda dum senhor que levou o carro por alegar mais experiência nestas andanças. Chegando à Jalé, fomos montar as tendas e seguimos para a praia piscina, para aproveitar a luz do dia e o pôr-do-sol em cima da água. O jantar foi em Porto Alegre, na quitanda/restaurante do Vado, acompanhado por um Rings Of Fire, que acabou com um discurso (em resposta a um desafio do jogo) a dizer o porquê da cerveja ser a melhor coisa que existe! Depois de finalmente aprender a jogar “Bisca 61”, jogo famoso em São Tomé, e de ouvir uma boa guitarrada e umas músicas portuguesas, seguimos para as tendas. Eu e o Nuno decidimos dar uma volta pela praia, para passear e quem sabe encontrar rastos de tartarugas ou encontrar as próprias na praia. Depois de alguns metros, demos de caras com um rasto (a fazer lembrar uma moto 4) que nos leva até uma tartaruga. A Helena e a Sofia juntaram-se a nós e mais tarde vieram mais três para ver o “espectáculo da natureza”. A tartaruga começou por fazer um buraco, estreito, com cerca de meio metro. Escavava com as barbatanas e atirava a areia para fora. Passados uns 30 minutos começou a pôr os ovos. Iam saindo ou um de cada vez ou logo três de seguida. Nós íamos acompanhando este momento especial da tartaruga, roubando um pouco da sua privacidade. Até a barbatana da tartaruga agarrámos para ver melhor o processo. Uns 100 ovos mais tarde, a tartaruga, apelidada carinhosamente de “Jalézinha”, começou a tapar o todo o buraco e a avançar muito lentamente para disfarçar o sítio onde tinha posto os ovos. Quando acabou este processo de “disfarce”, a Jalézinha foi a passo de tartaruga até ao mar, acabando por desaparecer no Oceano. Este foi o momento mais “Into the Wild” que já presenciei e é, sem dúvida, uma experiência a repetir. No dia seguinte, acordámos junto ao mar, a ouvir as ondas e a tomar um belo pequeno-almoço, com banana, café, chá e uns bolos incríveis – fofos (tipo farturas em caracol). Fomos para Porto Alegre apanhar uma piroga (uma canoa com motor) e seguimos para o Ilhéu das Rolas. Este Ilhéu é o local onde passa a linha do Equador e o Pestana tem um resort. Quando entrámos no Ilhéu, queriam que pagassemos 20€ pela entrada no Ilhéu, valor que nem tínhamos connosco, nem contávamos pagar por estar 2 horas no Ilhéu. Voltamos para o São Tomé, ilha, onde fomos para a Praia Cova, que não tem quase acessos. Os pescadores foram cozinhar um peixe Fumo, acabado de pescar, e comemos na areia com fruta-pão frita (Maravilhoso!). Este foi o melhor almoço que já tivemos em São Tomé e Príncipe. Depois de almoço seguimos para a praia Jalé, para relaxar um bocado, jantar uns bifinhos e seguir para a festa de Malanza. A festa estava pouco movimentada mas ainda deu para dar uns passinhos de dança. A noite acabou com uma fogueirada na praia, umas cartadas e a ver mais uma tartaruga já depois de ter posto os ovos. Domingo fomos para a praia Va-inha, mais um sítio lindo e paradisíaco que merece ser visitado. A viagem de regresso foi feita com calma, parando em Micondó e jogando uma futebolada na praia. Cansado mas satisfeito, foi assim que cheguei a casa, pronto para começar o trabalhinho.

30 de Setembro – 2 de Outubro de 2011

3 comentários:

  1. Adoro as tuas crónicas!
    Tenho tentado por comentários mas não tenho conseguido.
    Até partilhei no meu mural do facebook pois acho os teus posts muito bem escritos e dizem-me muito...
    Vamos lá ver se hoje consigo colocar o comentário!
    Um grande beijinho!!

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  2. Os 20€ eram o preço da entrada no Reino Pestana ou num Reino Pessoal?!
    Gostei muito da descrição da postura das tartarugas.

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  3. A Praia da Piscina é realmente uma praia paradisíaca. Foi a de que eu mais gostei de todas as que conheci em São Tomé. Não há muitas praias com aquele encanto e beleza.
    Um abraço para todos

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